Como é gostoso receber visitas. Quer dizer receber visitas boas. A Hungria é tão longe e a passagem tão cara, que recebo poucas visitas e só visitas boas. É bom ter com quem convesar e que, principalmente, fala a mesma língua.
Neste mundo de pouco amigos é raro encontrar alguém com quem temos afinidades. Logo que mudei, conheci pessoas bacanas, mas que logo se foram. Depois veio a minha grande amiga portuguesa que está temporiamente na terra dos descobridores. Fiquei perdida sem sua companhia. E Marina morre de saudades de seu filho, o amiguinho Manuel. Mas ainda tenho a Kaká que me ajudou (e ajuda) em boas horas e é a única pessoa que realmente posso contar. Que é capaz de sair cansada do trabalho para ficar com Marina febril, enquanto vou ao supermercado. Thanks god! Ou melhor, thanks Kaká! Entretanto ainda sobra mais algumas amigas. Se calhar, já tenho mais aqui que em Curitiba. Curitibano não é fácil não. Povo fechado e sem muitos sorrisos.
Eu acho que os curitibanos estão mais para leste europeu que nordeste Brasileiro. Sério! O choque cultural foi grande, mas na Paraíba talvez fosse maior ainda. Depois de três anos já entendo o jeito húngaro de ser. Entendo, mas não compreendo. Entende?!
Ainda bem que meu marido é brasileiro. Pois imagino que deve ser muito difícil o casamento entre culturas tão opostas. A menos que os dois cheguem num consenso e equilíbrio de culturas, algum dos dois terá que anular seus valores culturais. Conheço casais muito legais que conseguiram absorver o melhor de cada país. Torço, rezo, espero que minha filha goste de um brasileiro. Já pensou depois de 30 anos se dar conta que viveu sua vida no país do outro?! Que deixou de passar o Natal, aniversário, dia dos pais com as pessoas mais importantes de sua vida?! Já pensou não poder ver as crianças crescerem?! Os velhos envelhecerem?! Não desejo isto para ninguém, pois não há felicidade maior que conviver com quem amamos.
Eu posso reclamar do que quiser, pois não vou morar aqui para sempre mesmo. Thanks god novamente! Também vejo o lado bom da Hungria, pois é este país que está me dando muitas oportunidades, principalmente a de conhecer outros países. Sabe que sempre que volto de viagem, mesmo que não seja do Brasil, não me sinto voltando para casa. Outro dia voltando de Viena, na entrada de Budapeste me deu uma angústia. Acho que, naquele momento, gostaria de estar na Avenida da Torres. Minha mãe, vai dizer "Cruzes!". É assim que sinto. Que posso fazer?!
Bom, é isto...
boa semana a todos!
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