quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ser mãe

O que é ser mãe? Depende da nossa cultura, da referência materna que temos e assim vai. Tenho tido o privilégio de observar e vivenciar outros modos de ser. E principalmente, tentado achar um equílibrio entre o que vejo e os meus valores culturais. Porém é certo que criamos nossos filhos como fomos criados. E disto não tenho o que reclamar. E Marina só tem a agradecer a avó...
A mãe brasileira se acha a melhor mãe do mundo. Super carinhosa, aquela que abraça, beija, deixa o filho dormir em sua cama, etc e tal. Mas não é bem assim. Tudo fachada. Acho a mãe brasileira, muitas vezes, a mais relapsa de todas. É aquela que entrega seu mais precioso bem, ao primeiro que aparece. É a famosa terceirização. Seja pobre. Seja rica. O filho pobre vai para a creche da prefeitura. O filho rico vai para o berçário. Ou fica com a babá. No Brasil, o europeu tem fama de ser rude e não gostar de crianças. Desculpa lá, mas nunca vi uma única criança sendo mal tratada no velho mundo. Aqui não tem criança descalça na rua pedindo esmolas não! Criança até os três anos está em casa aos cuidados da mãe. Seja pobre. Seja rica. Não existe berçários ou creches. A mãe ganha para cuidar de seu filho. Na Hungria a licença maternidade é de 3 anos! O subsídio vai diminuindo e no terceiro ano é bem pequeno. Claro que o contexto é outro. Mas tenho certeza que seria muito mais barato para o governo brasileiro pagar a mãe para cuidar de seu próprio filho que construir creches, pagar funcionários, etc. Criança de creche vive doente. Tem que ir ao posto de saúde. O posto tem que fornecer remédio e assim vai. Ficar em casa, cuidando do filho pode ser o melhor anti concepcional. Nem precisaria campanha para controle de natalidade. Sabendo o trabalho que dá, a mãe pensaria duas vezes antes de engravidar do terceiro, quarto...
A mãe européia cumpre seu papel. Não existe avós fazendo papel de mãe. Cada macaco no seu galho. E digo que as crianças aqui são muito bem educadas e brincam muito. Estão sempre nas praças e parques. E a mãe junto. Não tem ninguém vestido de branco não! Tão diferente do meu país que é tão comum ver uma mulher e logo atrás a babá carregando seu filho pelo shopping. Aliás o sonho de consumo do novo rico! Uma vez, em Curitiba, numa livraria de shopping, escutei uma babá lendo um livro para um menino. A coitada mal sabia ler. E mais coitada ainda era a criança que tinha que ouvir. E a mãe lá, passeando trânquilamente. Se ela soubesse como é bom ler uma histórinha para nosso filho. Não existe felicidade maior que estes momentos. Talvez elas nem saibam o que estão perdendo. E ainda tem o preconceito com a mulher que se dedica ao filhos e à casa. Já ouvi muito de brasileiras "vc não faz nada?". Normalmente, esta pergunte vem de quem não é mãe. Ou de mãe que não cuida de seu rebento. Nem respondo. Penso que pessoa mais pobre...

3 comentários:

  1. Maria Tereza,
    voce foi perfeita neste blog,
    so falou a verdade, a pura realidade brasileira.Eu queria poder publicar este seu texto em todos os jornais e revistas brasileiras....
    Perfeita!

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  2. Obrigada Tamar pelo elogio e por sempre ler meu blog! Fazia tempos que queria escrever, mas não tinha coragem... por ser um pouco polêmico!
    bom final de semana!

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  3. Viva a Hungria!!!
    3 anos de licença maternidade... Uau!!
    Na verdade é bem diferente ser mãe estrangeira. Aqui na Espanha a licença maternidade é de 4 meses, e fiz a escolha de estar ao lado do meu pequeno no primeiro ano da vida dele. E agradeço a Deus por ter tido o privilegio de poder fazer essa escolha.
    Adorei o post!! Beijo

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